Combustíveis mais caros podem reduzir as vendas de automóveis?

Leitor também questiona se o cenário pode estimular procura por veículos elétricos
Usados ganharam força em 2021; acima feirão antes da pandemia

Usados ganharam força em 2021; acima feirão antes da pandemia | Imagem: Matel

Bom dia! Com a crescente alta dos combustíveis, haverá possibidade de queda de venda dos automóveis em geral, e por sequência, queda nos preços? A continuidade do presente cenário pode estar apressando o fim do carro a combustão? - pergunta enviada por Alyrio 

Alyrio obrigado por enviar sua pergunta e participar do Guru dos Carros

A questão colocada por você é muito interessante e precisamos levar em conta diversos pontos para chegarmos a algumas conclusões. 

Em primeiro lugar, a alta dos combustíveis registrada recentemente surgiu, em grande parte, por conta da eclosão do conflito no Leste Europeu e os consequentes impactos na cotação global do petróleo. 

Pode ser que a matéria-prima retome um valor mais aceitável na medida em que Rússia e Ucrânia sinalizem um fim próximo para a guerra que atualmente envolve as duas nações. 

Vale lembrar que o petróleo é uma commodity reage ao contexto econômico global. Basta recordarmos o que ocorreu em abril de 2020, quando, por conta das restrições de circulação impostas pela pandemia da Covid-19, o óleo chegou a registrar uma cotação negativa de -US$ 37 nos EUA. 

É fato que, se a alta no preço dos combustíveis perdurar por muito mais tempo, pode ser que alguns proprietários de veículos repensem o uso do automóvel ou, ao menos, busquem formas de otimizar seus deslocamentos.  

Talvez, no cenário atual, o que pode causar bem mais reflexos (e uma provável queda) na venda de automóveis seja o desabastecimento de componentes para a indústria automotiva de maneira geral, como a falta de semicondutores, o que resulta em longas filas de espera e preços cada vez mais elevados do produto final. 

Logo, com a oferta muito menor do que a demanda por conta da escassez de peças (mais uma consequência da pandemia), é provável que o preço dos automóveis não caia tão cedo. Vide ainda o baixo nível de estoque tanto nas fabricantes quanto nas concessionárias. 

Sobre a possibilidade de aceleração do fim do carro a combustão, creio que isso já é observado em mercados mais maduros, onde normas de emissões cada vez mais rígidas acabam por forçar a migração para os automóveis elétricos. Não por acaso, diversas marcas já anunciaram as datas em que pretendem comercializar apenas veículos não poluentes em regiões como a Europa. 

Aqui no Brasil, a falta de infraestrutura para recarga de modelos eletrificados aliada ao custo de compra, na maior parte dos casos, notavelmente superior desses carros em relação aos veículos térmicos, podem fazer com que a migração da frota nacional para os carros elétricos demande prazos mais elásticos. 

Não podemos esquecer ainda que o etanol, aplicado em modelos com propulsão híbrida, por exemplo, pode figurar como uma saída muito interessante para que as montadoras coloquem no mercado veículos com baixo nível de emissões, em especial se considerarmos todo o ciclo de obtenção do combustível (do poço-à-roda).

Em resumo, creio que os pontos acima ajudam a elucidar os questionamentos propostos por você, Alyrio. 

Espero ter ajudado! 

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